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Será que queimas tanto como teu relógio diz?

Boas pessoas!


Neste século XXI , um dos grande desenvolvimentos que vimos acontecer foram nos relógios. Ao longo dos anos evoluíram imenso até termos os atuais "smartwatch".


Evoluíram tanto que podemos fazer chamadas, marcar eventos, responder a mensagens, tirar fotografias, gravar vídeos, ouvir música e até mesmo contabilizar as calorias dos treinos, já para não falar de outras funcionalidades.


De certeza que já pegaste no teu smartwatch, escolheste a atividade que estás a realizar naquele momento e quando acabaste o exercício disseste: "Olha vê quantas calorias queimei!"


Aposto que por alguns momentos já duvidaste desses valores. Já te questionaste se serão mesmo reais e exatos, não já?




Como são calculadas as calorias?


As calorias em um smartwatch são calculadas com os dados que são introduzidos inicialmente na própria aplicação. Como por exemplo a idade, altura, peso e sexo.


Após a introdução destes dados, normalmente, os relógios vão buscar mais informações acerca no seguinte:

  • Frequência cardíaca, especialmente durante o exercício;

  • O movimento através do sensor;

  • Taxa de metabolismo basal (gasto energético basal, em repouso) e Taxa de metabolismo ativa (gasto energético durante um exercício).


Depois de todos estes dados recolhidos, o cálculo das calorias gastas numa atividade, é feito da seguinte forma, resultando no valor que é mencionado no smartwatch:


Gasto durante exercício = gastos totais - gasto energético basal





Qual a precisão dos Smartwatches?


Ora vamos ver. Realmente quanto maior a medição, maior o controlo que temos sobre a nossa atividade. Permite ter outra perceção acerca do que gastamos e no futuro até utilizar isso a nosso favor na alimentação, seja para emagrecer, ganhar massa muscular ou outro objetivo. Por isso seria uma ferramenta excelente para utilizar em vários contextos.


Mas esse não é bem o caso. Segundo este estudo (1), em alguns casos particulares os smartwatch não tiveram um bom desempenho em predizer a quantidade de calorias queimadas nas atividades. Outro estudo (2) mencionou que os smartwatches podem predizer valores abaixo dos reais, ou seja, na realidade até podemos estar a queimar mais do que o próprio apresenta.


O aconselhado seria avaliar estes valores com muito cuidado porque pelos vistos não são valores muito exatos e com pouca precisão segundo os estudos apresentados.


Outro aspeto muito importante é que em quase todos os casos não é calculado a percentagem de gordura para cada indivíduo. Na vossa opinião, uma pessoa de 90kg obesa (alta % de gordura) e outra pessoa com 90 kg que seja fisiculturista (baixa % de gordura), durante uma atividade de ginásio queimam as mesmas calorias da mesma forma? Não, visto terem composições corporais diferentes. Por isso seria muito importante o smartwatch ter em consideração a composição corporal de cada pessoa.


Posto isto, utilizar os smartwatches para contabilizar calorias não parece ser o mais indicado no momento. Portanto pessoal, não convém confiar a 100% nos valores apresentados. Tanto podem estar a queimar muito menos calorias ou até muito mais.






Para que servem os Smartwatch durante o exercício?


Mas, nem tudo é mau afinal. Existem algumas situações onde o smartwatch (nem todos) é realmente muito bom (2,3)! Quais?

  • Medir a frequência cardíaca;

  • Contar os passos realizados.


Como podemos usar isso a nosso favor?


Ora podemos procurar atingir uma meta diária de passos, a qual trás muitos benefícios para a saúde (4) como a redução do risco de morte!


Quanto a frequência cardíaca pode ser muito útil nos seguintes casos:

  • Medir a intensidade do exercício através da frequência cardíaca máxima.

  • Usar os valores para determinar que tipo de atividade estás a realizar (vigorosa,moderada,leve), tendo em conta a frequência cardíaca;

  • Regular ou Auto-regular a atividade em função dos valores apresentados.




Conclusão


Em suma, os smartwatches são excelentes ferramentas para determinar os passos diários e através deste número ajustar conforme o objetivo de cada um. São também excelentes para medição da frequência cardíaca, onde através desta podemos regular e determinar que tipo de intensidade foi realizada.


Em relação a calorias, não aconselho vivamente a depender desses valores, especialmente quando o objetivo é usá-los para obter um maior controlo acerca do gasto calórico e posteriormente adaptar as estratégias em função desses valores.


Os valores apresentados são muito pouco precisos e nestes casos vão estar a dar tiros no escuro dificultando o vosso progresso no treino.



Espero ter ajudado!

Abraços,

Elton Gouveia




BIBLIOGRAFIA


(1) Hajj-Boutros, G., Landry-Duval, M. A., Comtois, A. S., Gouspillou, G., & Karelis, A. D. (2023). Wrist-worn devices for the measurement of heart rate and energy expenditure: A validation study for the Apple Watch 6, Polar Vantage V and Fitbit Sense. European journal of sport science, 23(2), 165–177. https://doi.org/10.1080/17461391.2021.2023656

(2) Fuller, D., Colwell, E., Low, J., Orychock, K., Tobin, M. A., Simango, B., Buote, R., Van Heerden, D., Luan, H., Cullen, K., Slade, L., & Taylor, N. G. A. (2020). Reliability and Validity of Commercially Available Wearable Devices for Measuring Steps, Energy Expenditure, and Heart Rate: Systematic Review. JMIR mHealth and uHealth, 8(9), e18694. https://doi.org/10.2196/18694


(3) Dooley, E. E., Golaszewski, N. M., & Bartholomew, J. B. (2017). Estimating Accuracy at Exercise Intensities: A Comparative Study of Self-Monitoring Heart Rate and Physical Activity Wearable Devices. JMIR mHealth and uHealth, 5(3), e34. https://doi.org/10.2196/mhealth.7043

(4) Paluch, A. E., Bajpai, S., Bassett, D. R., Carnethon, M. R., Ekelund, U., Evenson, K. R., Galuska, D. A., Jefferis, B. J., Kraus, W. E., Lee, I. M., Matthews, C. E., Omura, J. D., Patel, A. V., Pieper, C. F., Rees-Punia, E., Dallmeier, D., Klenk, J., Whincup, P. H., Dooley, E. E., Pettee Gabriel, K., … Steps for Health Collaborative (2022). Daily steps and all-cause mortality: a meta-analysis of 15 international cohorts. The Lancet. Public health, 7(3), e219–e228. https://doi.org/10.1016/S2468-2667(21)00302-9







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